Pau que nasce torto nunca se endireita
A minha mãe diz-me várias vezes que este ditado não deve ser levado à letra, que existem inúmeros casos de pessoas que se “endireitaram” (ou melhor, a quem a vida endireitou). Eu gostaria muito de pensar que sim, que as pessoas mudam, mas a verdade é que não acredito nada nisso. Na verdade, concordo plenamente com o ditado popular.Eu até aceito que a personalidade possa ser ajustada, que qualquer pessoa pode fazer um esforço para se tornar mais simpática, mais interessante, mais disponível, mais sociável. Agora, o carácter está lá e nada o pode mudar. Ou se é “boa” pessoa ou não. Tão simples quanto isto. Se uma pessoa tem má índole, se é egoísta, invejosa, prepotente, sem escrúpulos, então não há boa vontade que lhe valha. As circunstâncias até podem levá-la a moderar estas características, a ocultá-las sob uma capa de civismo, mas elas estão lá e, a qualquer momento, voltam a emergir com as garras de fora. Por isso se ouve tantas vezes frases como “Oh pá, eu pensava que ele/a tinha mudado, mas afinal…”. É a previsível desilusão daqueles que são bons demais, que gostam de ver sempre o melhor nas pessoas, que acreditam nos finais felizes.
Quando se pretendem relações sólidas e duradouras, sejam de amizade ou amor, o ideal é apostar em pessoas que tenham um bom carácter, pessoas com as quais podemos contar sempre e incondicionalmente (ainda que a sua personalidade não seja das mais cativantes). No entanto, todos sabemos o que é ser seduzido por pessoas cuja personalidade é ostensivamente deslumbrante, pessoas com um charme e uma capacidade de atracção inatos, apenas para verificar mais tarde que o carácter deixa algo a desejar.
Eu já sofri desgostos bem grandes por causa deste encandeamento inicial, da vontade de acreditar que as pessoas são o que parecem; mas uma vez que o verdadeiro íntimo se revela, não me é muito difícil cortar toda e qualquer ligação com pessoas que nasceram “tortas”. Precisamente porque, dependendo da gravidade das atitudes, não acredito que venham a mudar.
No fundo, é tudo uma questão de saber quais as pontes a atravessar e quais as pontes a queimar. Já sei que esta é a decisão mais difícil de tomar, até porque temos sempre receio de estar a desperdiçar aquela última oportunidade (e, se calhar, agora é que a pessoa mudou mesmo…). Em caso de dúvida, o meu conselho é recorrer à sabedoria popular: nasceu torto? Então, vai morrer torto.
Imagem: retirada do site desciclo.pedia.ws
Etiquetas: Provérbios ditos e dizeres





